Caixas de leite descartadas tornaram-se tijolos; fitas adesivas, cimento; placas de madeira, chão e teto. Quem diria que em plena luta pela própria reconstrução – física, psicológica, emocional –, pessoas em tratamento contra o álcool e as drogas construiriam sonhos para outrem.
Durante a oficina de reciclagem, desenvolvida pelo Centro de Referência em Alcoolismo e Drogadição de Barueri – CAPS AD II/CRAD como parte do tratamento, cerca de 30 pacientes construíram uma casinha de brinquedo para as crianças do CAPSi Trilha – Centro de Atenção Psicossocial da Infância e Adolescência, que atende mais de 300 crianças atualmente.
A entrega aconteceu na manhã do dia 6 de setembro. O encantamento dos pequeninos foi instantâneo. Antes mesmo de cortarem a fita que simbolizava a entrega, as crianças já entraram no novo brinquedo e partiram para a diversão. “Acho que as crianças dizem mais do que qualquer coisa. Elas não vão aproveitar, já estão aproveitando”, disse a responsável pela unidade do CAPSi, Virgínia Torrecillas Ulhoa, durante agradecimento.
Um lugar a mais pra chamar de seu
A casinha, bem grande, comporta umas 10 crianças ao mesmo tempo. Construída em cerca de seis meses, precisou de uma média de 800 caixas de leite, todas individualmente higienizadas e cheias de serragem para garantir durabilidade e segurança.
“É satisfatório. Não tem o que pague ver a criança feliz, rindo, brincando”, diz Edvaldo G. S., há três meses no CAPS-AD e participante do projeto. “Antes de começar na reciclagem eu não sabia que podia fazer umas coisas boas assim com lixo. Tem gente que acha que é lixo, e eu não sabia que poderia fazer uma coisa tão útil e agradável”, declara, satisfeito.
Outro paciente, Vanderlei A. S., há cinco meses no CAPS-AD, elogiou bastante o trabalho realizado pela equipe de lá e relatou o quando projetos como esse, da reciclagem, ajudam a ativar a mente e a criatividade. “Mantém a mente funcionando, cada dia é um pequeno detalhezinho. Além de me ajudar, ajuda as crianças, porque precisa de um divertimento. Pra mim valeu muito a pena ver as crianças brincando nela”, expressa.
Vanderlei faz questão de destacar a ajuda que tem recebido dos profissionais durante seu tratamento. “Eu não vi um projeto melhor que o deles. Só tenho que agradecer, porque são pessoas que sabem conversar com o paciente, colocar a gente para frente, eles incentivam, dão orientação, sabem fazer”, detalha, orgulhoso.
A oficina de reciclagem é apenas um dos recursos adotados pela equipe do CAPS na recuperação dos pacientes, assim como os grupos de troca de experiências e prevenção de recaídas. Na reciclagem, por exemplo, o intuito é incentivá-los a soltar a imaginação, ativar a criatividade, distrair a mente, descobrir novas habilidades, além de mostrar o quanto eles podem fazer com as próprias mãos quando determinados e focados.
Aliz Lambiazzi
Fotos: Aliz Lambiazzi / Secom
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