Os médicos do Serviço de Atendimento Médico Especializado de Barueri (Sameb) estão há três meses com os valores dos plantões extras atrasados. A situação já acontece em Guarulhos, onde a mesma organização social (OS), Instituto Gerir, deixou a administração de três serviços sem pagar três meses de salários aos médicos.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, a entidade tenta diálogo com o prefeito da cidade, Rubens Furlan, há muito tempo e já havia alertado sobre a possibilidade de ocorrerem calotes. “Estamos em contato com os médicos para buscar saídas judiciais para a situação”.
Furlan, que prometeu em seu discurso de posse oferecer “medicina de rico para o povo pobre”, promoveu a terceirização dos serviços de saúde do Sameb em 2017, colocando uma organização social (OS), o Instituto Gerir, para administrar os serviços da unidade, que deixou de administrar o serviço no final de setembro, deixando para trás falta de pagamento de três meses. “Não nos parece ser coincidência que a mesma OS pratique calotes exatamente iguais em duas cidades diferentes. Ela faz isso porque contrata os médicos de forma precária, o que acaba com as garantias de pagamento da CLT”, explica Gatti.
Quando assumiu a gestão, a OS substituiu médicos que eram concursados e experientes por profissionais terceirizados, com vínculos precários e salários desvalorizados. Como consequência, a população sofre desassistida, com falta de profissionais, superlotação no atendimento e uma péssima estrutura para pacientes de emergência. “Os médicos merecem condições dignas de trabalho e a população merece serviços de saúde de qualidade”, disse Gatti.
Vale ressaltar que, inicialmente, Furlan havia demitido os médicos do Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran sem realizar o pagamento de seus direitos trabalhistas.
Furlan culpabilizou profissionais da saúde pelo caos de sua gestão
“Às vezes eu ando por aí, eu fico orgulhoso do que nós estamos fazendo. A única coisa que eu não resolvi ainda é que os profissionais, principalmente da saúde, eles não estão ajudando muito. Eu falo para eles”. Este é o conteúdo de um discurso do prefeito de Barueri, Rubens Furlan, que transitou dia 13 de agosto nas redes sociais. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, a fala de Furlan é extremamente irresponsável, principalmente em um momento em que a saúde da cidade enfrenta sérios problemas, como falta de medicamentos e insumos básicos.
“Para se ter uma ideia do absurdo da fala do prefeito, recebemos denúncias de que faltam luvas, álcool, gesso, seringas, soro fisiológico e estão sendo usadas caixas de papelão no lugar de caixas de perfuro (para descarte de materiais pontiagudos) no Sameb. Além disso, também faltam medicamentos como corticoides e medicamentos para asma e bronquite. Como é possível culpabilizar os funcionários pelo abandono dos serviços praticado pela gestão Furlan?”.
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